Estava eu, ontem, cuidando do meu espaço designado, o Armário, quando de repente um homem, com seus já 40 anos, começa a se aproximar de mim. Calma! Minha integridade continua intacta. Pois bem, ele estava com uma cara estranham como quem estivesse com alguma dúvida. Prontamente, deixei-me à disposição: “Posso ajudá-lo?”. A resposta não foi bem a que eu esperava, como algo de gênero “onde é o banheiro?”.
“Preciso compartilhar isso com alguém antes que eu enlouqueça”, essa foi a resposta de Luciano (não sei seu sobrenome; mesmo eu perguntando inúmeras vezes ele se negou a responder). O fato é o seguinte. Essa era a segunda vez que ele vinha na exposição e coincidentemente a segunda vez que algo extraordinário aconteceu com ele. Na semana passada, enquanto ouvia um dos roteiros do rádio, ao mesmo tempo que tocava Thriller, de Michael Jackson, nosso querido abusador de criancinhas dançava no telão. “Grande coisa”, vocês devem estar pensando. Foi exatamente isso que eu também pensei. Mas ele continuou a me contar sua história. Ontem, também sentado em uma das poltronas do rádio, enquanto dava uma música de Fábio Júnior, uma cena também com o galã aparecia na tela da Cama. Ele ficou impressionado com o fato. “Puta, mas que coincidência”.
Eu ainda não tinha pensado que isso era lá grandes coisas, mas daí percebi que foram esses pequenos fatos, talvez coincidências talvez não (segundo o próprio Luciano), que tornaram a exposição mágica aos olhos dessa pessoa. Uma pessoa veio à exposição e conseguiu viver algo totalmente fora do script, saiu daqui com algo a mais do que apenas imagens e sons em sua cabeça. Saiu pensando sobre sua existência, sobre as forças ocultas do universo. Saiu daqui com sede conhecimento, e olha que conhecimento era o que não lhe faltava. Em cerca de 15 minutos ele me deu uma aula de Física Quântica.
Vocês devem achar ele um louco, e confesso que eu também o achei. Parecia até o Jim Carrey em Número 23. Ah! Aliás, na quarta estávamos conversando exatamente sobre esse filme, sobre enxergar o que você quer onde você quiser. Talvez seja apenas coincidência.
Escrito por Thiago Morão