Um espaço que apresenta a Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho e suas realizações ao longo de seus 20 anos de existência. De maneira muito objetiva, esse é o conceito das gangorras, localizadas na Exposição NO AR - 50 Anos de Vida. Mas ao ver pessoas de diversas faixas etárias usufruindo desse espaço, novos conceitos surgem e emocionam até mesmo quem está ali para facilitar uma experiência e surpreendentemente é tocado com uma interrogação: “Tia, este brinquedo é de graça?”, pergunta feita por uma criança carente, que no dia do passe-livre em Porto Alegre, escolheu a Exposição como destino.
Observando essa criança, pude constatar que a gangorra que traz a analogia das pessoas sendo fundamentais para o funcionamento do brinquedo e dos projetos sociais, revela uma imensa alegria para aqueles que nela brincam. O olhar que brilha, o sorriso largo, a visão de outras crianças na tela do vídeo, o sobe e desce…A criança que ali estava se envolveu por toda essa magia e ao final exclamou: “Hoje é o dia mais feliz da minha vida!”.
Experiências como essas, nos fazem refletir sobre a dimensão dessa exposição, que emociona o público e os profissionais que nela atuam. Trabalhando como facilitadora deste evento, tenho a sensação de a cada dia fazer uma pessoa mais feliz. Tenho a sensação de compartilhar das emoções e lembranças através das experiências proporcionadas. Além de facilitar a comunicação das pessoas com o seu mundo, tenho o privilégio de descobrir através do outro as razões que motivam os indivíduos a acordarem cedo, sob chuva e vento, em pleno domingo, enquanto a maioria prefere estar dormindo no aconchego de sua cama. Comunicação é realmente a nossa vida, e a NO AR comprova o valor dessa relação.
Lembro-me também, que na sala da internet, um senhor que aparentava ter uns 60 anos de idade, se aproximou com os olhos cheios de lágrimas e falou: “Moça, eu estou emocionado porque eu nunca tinha mexido no computador e consegui acessar o vídeo na cronologia”. São em momentos assim, que sendo facilitadora, participo de conquistas, singelas para alguns, mas inesquecíveis para quem as vivencia como uma descoberta.
Um show à parte
Ver gremistas e colorados vibrando ao mesmo tempo, quando assistem a vitória Grenal no telão da arena, nos faz refletir sobre a paz entre as torcidas, sobre essa alegria compartilhada que produz mais união. Observar a expressão das pessoas ao entrarem na exposição, principalmente quando o vídeo está rodando no telão, é sentir que a NO AR tem esse impacto direto com o público. É ter a certeza que após passarem a porta de entrada, foram tocadas, invadidas por sensações únicas.
No rádio, as pessoas estão sorrindo, chorando, gritam por impulso ao vibrarem com um gol narrado ao pé do ouvido. Cada espaço da exposição tem essa mágica transformadora. Estar ali, dia após dia, é ter a certeza de que algo novo acontece a cada momento.
Nós, facilitadores, já reconhecemos de longe uma música que toca, sabemos se ela vem do rádio, da cama, do telão, dos vídeos ou da geladeira. Já sabemos que cena vai aparecer e qual é a sua seqüência. Mas há algo que sempre é novidade, é único e muito especial. Algo que valoriza o nosso trabalho, que fortalece a nossa missão. Algo que nos faz pensar ao fim do nosso turno o quanto valeu a pena estar ali. Esse algo tão surpreendente é combustível e dá vida à exposição: As reações das pessoas. Fundamentais, tornam especiais os dias da NO AR.